Que o abismo da Argentina nos sirva de lição
A Argentina enfrenta um grande problema de inflação e desvalorização cambial. Em 2018 fechou com uma taxa inflacionária de 47,6%, a segunda mais alta da América Latina. Os últimos 12 meses, atualizados até março de 2019, a taxa alcança o patamar de 54,7%. A pobreza atingiu 32% da população e o desemprego chega ao índice de 9,1%.
A medida de congelamento de preços, uma política que já demonstrou ser desastrosa em diversos países, foi anunciada faltando seis meses para as eleições presidenciais como forma de postergar o problema para o período pós eleitoral. O Problema de muitos países com dificuldades em suas economias é, na maioria das vezes, fazer uso do remédio errado para a doença apresentada. Inflação galopante, retração do PIB e desvalorização da moeda são problemas que precisam ter o diagnóstico certo e o remédio certo para combatê-los.
Fazendo uma análise criteriosa da economia argentina vamos identificar que o verdadeiro mal que impacta diretamente todos esses indicadores econômicos é justamente a expansão da quantidade de dinheiro na economia. A expansão da base monetária (uma variável totalmente controlada pelo Banco Central argentino) foi de mais de 65% de 2016 até 2018.
Como consequência, a quantidade de dinheiro em posse das pessoas e das empresas continuou crescendo de forma até mais intensa no governo Macri em relação ao governo Kirchner. O M1 (Moeda em poder do público, seja papel- moeda ou moeda metálica + depósitos à vista nos bancos comerciais) cresceu mais de 70% no mesmo período, o que equivale a uma inflação monetária média de 24% ao ano.
Com esse descontrole monetário monumental, que só perde para a Venezuela na América Latina, não é de se estranhar que a Argentina tenha uma inflação de preços cronicamente alta e sofra frequentes crises cambiais. Mas por que será que isso acontece na Argentina? Simples, todos querem ser bancados pelo governo. Como a Argentina possui um histórico negativo de mau pagador e de calotes nos investidores estrangeiros, o governo tem dificuldades para financiar seus déficits orçamentários. Dessa forma, ele acaba recorrendo a uma medida que sempre foi uma tradição na América Latina: utilizar seu Banco Central para imprimir dinheiro e financiar diretamente o governo. (A Venezuela faz isso, porém numa escala infinitamente maior). Consequentemente, a base monetária e a oferta de moeda do país aumentam sem qualquer restrição. A Argentina possui um déficit fiscal alto, mas o curioso é que ele não é gerado devido a uma carga tributária baixa, muito pelo contrário, a carga de impostos é excessiva. Esse fato prejudicou a Argentina no relatório de competitividade global do Fórum Econômico Mundial 2017-2018, colocando o país em 92° entre 128 nações analisadas. O que mais impressionou foi o fato da carga tributária da Argentina ser a mais alta entre as 128 economias. Esses dois fatores, inflação e alta carga tributária, impactam negativamente a competitividade do país e sua capacidade de atrair capital, investir e criar empregos, relegando um país de enorme potencial às últimas posições do ranking mundial de competitividade.
Outro grave problema são os gastos com o funcionalismo público. Em 65% das províncias, a fatia de funcionários públicos excede 40% da força de trabalho empregada, um número extremamente alto da máquina estatal.
Concluindo, nenhum artifício econômico impedirá novas crises cambiais e inflacionárias caso o governo continue imprimindo dinheiro para financiar seus gastos, os quais claramente não cabem no orçamento. Preços continuarão subindo e a moeda continuará se desvalorizando. Se o governo argentino realmente quiser abolir suas crises cambiais, a solução passa pela total proibição da impressão de dinheiro pelo Banco Central para financiar o Tesouro. Adicionalmente, mais medidas de restrição monetária teriam que ser adotadas, como o aumento do compulsório dos bancos. Isso faria com que os juros subissem ainda mais no curto prazo, haveria recessão e vários investimentos seriam abortados. No entanto essa política monetária restritiva faria com que o peso se valorizasse frente ao dólar. Nesse ponto, com o peso estável, o governo deve abolir todas as barreiras legislatórias que proíbem transações legais em dólar, acabar com o Banco Central argentino e dolarizar sua economia, o que seria mais fácil do que parece, dado que muitos argentinos já poupam em dólares.
O Equador optou pela dolarização de sua economia no ano 2000, período em que enfrentava uma inflação de 91% ao ano, após a dolarização a inflação caiu para 22% no ano seguinte, atualmente tem deflação, ou seja inflação negativa de – 0,20%. Depois da dolarização em 2000 até 2018, o PIB do Equador aumentou 600%. Em 2001, 40% da população estava na linha da pobreza, em 2011 esse número caiu para 17,4%. Para a Argentina, qualquer opção fora disso não mudará absolutamente nada.
A medida de congelamento de preços, uma política que já demonstrou ser desastrosa em diversos países, foi anunciada faltando seis meses para as eleições presidenciais como forma de postergar o problema para o período pós eleitoral. O Problema de muitos países com dificuldades em suas economias é, na maioria das vezes, fazer uso do remédio errado para a doença apresentada. Inflação galopante, retração do PIB e desvalorização da moeda são problemas que precisam ter o diagnóstico certo e o remédio certo para combatê-los.
Fazendo uma análise criteriosa da economia argentina vamos identificar que o verdadeiro mal que impacta diretamente todos esses indicadores econômicos é justamente a expansão da quantidade de dinheiro na economia. A expansão da base monetária (uma variável totalmente controlada pelo Banco Central argentino) foi de mais de 65% de 2016 até 2018.
Como consequência, a quantidade de dinheiro em posse das pessoas e das empresas continuou crescendo de forma até mais intensa no governo Macri em relação ao governo Kirchner. O M1 (Moeda em poder do público, seja papel- moeda ou moeda metálica + depósitos à vista nos bancos comerciais) cresceu mais de 70% no mesmo período, o que equivale a uma inflação monetária média de 24% ao ano.
Com esse descontrole monetário monumental, que só perde para a Venezuela na América Latina, não é de se estranhar que a Argentina tenha uma inflação de preços cronicamente alta e sofra frequentes crises cambiais. Mas por que será que isso acontece na Argentina? Simples, todos querem ser bancados pelo governo. Como a Argentina possui um histórico negativo de mau pagador e de calotes nos investidores estrangeiros, o governo tem dificuldades para financiar seus déficits orçamentários. Dessa forma, ele acaba recorrendo a uma medida que sempre foi uma tradição na América Latina: utilizar seu Banco Central para imprimir dinheiro e financiar diretamente o governo. (A Venezuela faz isso, porém numa escala infinitamente maior). Consequentemente, a base monetária e a oferta de moeda do país aumentam sem qualquer restrição. A Argentina possui um déficit fiscal alto, mas o curioso é que ele não é gerado devido a uma carga tributária baixa, muito pelo contrário, a carga de impostos é excessiva. Esse fato prejudicou a Argentina no relatório de competitividade global do Fórum Econômico Mundial 2017-2018, colocando o país em 92° entre 128 nações analisadas. O que mais impressionou foi o fato da carga tributária da Argentina ser a mais alta entre as 128 economias. Esses dois fatores, inflação e alta carga tributária, impactam negativamente a competitividade do país e sua capacidade de atrair capital, investir e criar empregos, relegando um país de enorme potencial às últimas posições do ranking mundial de competitividade.
Outro grave problema são os gastos com o funcionalismo público. Em 65% das províncias, a fatia de funcionários públicos excede 40% da força de trabalho empregada, um número extremamente alto da máquina estatal.
Concluindo, nenhum artifício econômico impedirá novas crises cambiais e inflacionárias caso o governo continue imprimindo dinheiro para financiar seus gastos, os quais claramente não cabem no orçamento. Preços continuarão subindo e a moeda continuará se desvalorizando. Se o governo argentino realmente quiser abolir suas crises cambiais, a solução passa pela total proibição da impressão de dinheiro pelo Banco Central para financiar o Tesouro. Adicionalmente, mais medidas de restrição monetária teriam que ser adotadas, como o aumento do compulsório dos bancos. Isso faria com que os juros subissem ainda mais no curto prazo, haveria recessão e vários investimentos seriam abortados. No entanto essa política monetária restritiva faria com que o peso se valorizasse frente ao dólar. Nesse ponto, com o peso estável, o governo deve abolir todas as barreiras legislatórias que proíbem transações legais em dólar, acabar com o Banco Central argentino e dolarizar sua economia, o que seria mais fácil do que parece, dado que muitos argentinos já poupam em dólares.
O Equador optou pela dolarização de sua economia no ano 2000, período em que enfrentava uma inflação de 91% ao ano, após a dolarização a inflação caiu para 22% no ano seguinte, atualmente tem deflação, ou seja inflação negativa de – 0,20%. Depois da dolarização em 2000 até 2018, o PIB do Equador aumentou 600%. Em 2001, 40% da população estava na linha da pobreza, em 2011 esse número caiu para 17,4%. Para a Argentina, qualquer opção fora disso não mudará absolutamente nada.

Muito bom e esclarecedor.
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